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Yellow Tail: vinho para quem quer beber vinho sem virar um babaca

yellow tail
Vamos para o primeiro estudo de caso do blog! Demorou mais do que eu queria, mas eu não ia chegar aqui com um estudo “meia boca” né? Então escolhi bem, estudei o caso com calma, e decidi trazer ele aqui. Se prepara para ler aí!

Eu vou começar supondo que você nunca ouviu falar da [yellow tail], beleza? Se você conhecer, bem, vai ler algumas coisas que já sabe. Acho que isso não mata ninguém.

Ah, e é assim mesmo que se escreve: [yellow tail].

Minúsculo e com colchetes mesmo. Porque seria uma puta sacanagem eu trabalhar com branding e não escrever o nome dos caras direito.

Agora que já resolvemos esse, que podia acabar sendo um pequeno problema no nosso progresso, vamos falar da marca em si.

A [yellow tail] é uma marca de vinhos que começou as suas vendas em 2001, e em pouco tempo se tornou uma das marcas mais lucrativas do seu mercado.

E o que vamos entender nesse texto é: como raios uma marca australiana se tornou uma das maiores dos EUA, concorrendo com marcas francesas, italianas, etc.?

De onde esses caras saíram?

A [yellow tail], embora seja uma marca nova, não está aí por acaso. Os donos da marca são a Familia Casella, e eles fabricam vinhos desde 1969.

Em 2001, eles decidiram lançar um novo rótulo – a [yellow tail] – com um posicionamento muito inovador, quando comparado ao padrão do mercado.

Sim, posicionamento. Quantas vezes já não falei disso, aqui no blog?

A verdade é que esse posicionamento não foi só uma escolha, foi também uma necessidade.

Isso porque eles não têm o reconhecimento e o glamour dos grandes vinhedos, que vendem vinho pra gente que entende do negócio.

Também falta a qualidade que, embora seja boa, não tá nesse nível.

Então, para não acabarem virando os vinhos de 5 dólares das prateleiras, eles escolheram se posicionar de um jeito inovador.

E como é esse posicionamento?

Bem, se eu tivesse que resumir, eu diria assim: “vinho para quem não quer ter que fazer um curso para escolher um rótulo, mas não abre mão de beber um bom vinho”.

Porque a verdade é essa. Na hora de escolher um vinho, seja aqui no Brasil ou nos EUA, você – pessoa normal – tem três alternativas:

  1. Passar cinco horas lendo blogs sobre vinhos e tentar escolher um baseado na opinião dos outros. Errar, ficar puto, e continuar tentando;
  2. Escolher um vinho bom, pelo preço, na sorte;
  3. Pegar um mais barato, e pelo menos não jogar dinheiro no lixo.
  4. Bônus. Comprar o que tomou na casa de um amigo e gostou.

Tirando que a sensação de parar naquelas prateleiras de vinhos é horrível. Você se sente um lixo quando percebe que é incapaz de escolher o que você vai beber.

A [yellow tail] acabou com esse sentimento.

E te deu uma opção nova.

  1. Temos 4 opções, simples. Pegue a que mais te agrada, que o vinho será

E é claro, eles cumpriram essa promessa. Com louvor, diga-se de passagem.

O que o mercado percebeu, com o passar do tempo, é que tinha muita gente querendo comprar vinho, mas que era barrada pelas 4 opções que listei lá em cima.

E com a [yellow tail], esse povo começou a comprar vinho pra cacete.

Sem medo de ser feliz, nego tava comprando vinho no lugar de cerveja. No lugar de refrigerante, até.

Porque se sentiam à vontade para isso, só.

O posicionamento influenciou no produto, ou o produto influenciou no posicionamento?

Agora vamos entrar no campo da opinião, da minha visão de mundo. E você não só pode, como eu espero que discorde.

E pode postar a discordância aqui em baixo, sem sacanagem. Quero que você mude minha cabeça.

Vamos lá.

A família Casella vendia vinhos há mais de 40 anos quando a [yellow tail] “saiu do forno”. Se pensar dessa forma, eles já tinham o produto, certo?

Então fica difícil considerar que o posicionamento veio antes do produto, certo?

Na minha visão, eles perceberam – depois de 40 fucking anos – que ficar vendendo vinho daquele jeito de sempre uma hora se tornaria insustentável.

E decidiram: “Nós vamos mudar tudo isso aí”.

A partir daí, foram para o mercado. Entenderam o consumidor, e viram que tinha gente para cacete querendo comprar vinho, mas que tinham medo das prateleiras de vinho.

Claro que é fácil dizer, agora, que a ideia é óbvia.

Mas meio que foi.

Porque depois de entender a demanda, basta ir lá e oferecer o que eles querem. Pelo preço que eles querem, e na roupa que eles querem.

Resumindo, o posicionamento escolhido influenciou no produto.

Simplesmente porque, sem isso, eles continuariam vendendo os vinhos “de sempre”, e talvez demorassem mais 100 anos para se tornarem uma vinícola conhecida e respeitada o suficiente para aumentar seu preço ou suas vendas.

Mas foi só o posicionamento que fez isso?

Você pode dizer que sim, mas o negócio é bem mais complexo.

Preciso dizer que, com certeza, antes de simplesmente escolherem o seu posicionamento, com certeza eles fizeram um puta estudo de diferenciação.

Encontraram seu diferencial em uma personalidade jovem, irreverente, divertida.

E em cima disso, desenvolveram e escolheram seu posicionamento como, resumidamente: “um vinho acessível a todos”.

Um puta trabalho, de verdade.

Que todas as marcas deveriam fazer, antes de entrar no mercado ou para se manter nele.

Mas enfim, todo mundo colhe o que planta, não é mesmo?

Bem, por hoje é isso.

Se você tiver qualquer coisa a dizer, pode postar aí em baixo. Eu não prometo que vou responder rápido, mas garanto que uma hora eu respondo, beleza?

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